Bom dia, eu não faço a menor ideia de como domar absolutamente nada. Desculpe. Achei que um título assim chamaria atenção. A minha atenção certamente chamaria. É parecido com os anúncios que pulam na minha cara durante qualquer navegação na internet. O google manja. Ele sabe. Não consigo domar nada mesmo, quem dirá a ansiedade que nunca é convidada mas sempre aparece na hora da festa - e até quando não tem festa alguma aparece dando o ar (ou, tirando o ar) da graça. Da última vez que ela veio com tudo foi uma festa memorável - pra ela. Não havia evento qualquer, só um coração que decidiu dar um role na garganta e ficou por lá. Ela chegou com tudo se apossando do meu corpo como se eu tivesse a evocado em um ritual. Ela entrou e ocupou tanto espaço que até aquilo que eu havia almoçado teve que sair pra dar lugar. Ela veio, deu um show como nunca havia dado, e "PUF!" foi embora. A parte que ninguém fala sobre a ansiedade é como é fisicamente concreto o arrombamento todo...
Recebi um convite. Substituir uma atriz em uma peça aqui na capital. Aceitei de cara. Não só porque a atriz que vou substituir é alguém que constantemente é confundida comigo. Eu também sou confundida com ela. Mas aceitei porque é um espetáculo feito por amigos queridos e que eu já assisti e fiquei com muita vontade de viver no palco. Fui ler o texto, estudar para tentar não pensar nas minhas mazelas pessoais. Me deparei com um monólogo da minha personagem, que chama MÃE (veja bem!), e li em voz alta um texto tão meu quanto qualquer outro que eu realmente escrevi. "Às vezes, quando estou sentada a uma mesa, por exemplo, com amigos, ou quando estou no metrô, num domingo à tarde, por exemplo, ou diante das prateleiras do supermercado, à noite, depois do trabalho, me sobe esta raiva. Essa raiva do fato de que ninguém jamais vai saber como eu me sinto de verdade. Como é ser eu. Nunca ninguém verá minhas mãos como eu as vejo. Ninguém vai ter essa sensação, no fundo do peit...